Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

A Escolinha do Magalhães


Regresso às aulas: um tema transversal a toda a sociedade portuguesa que se estende aos mais recônditos lugares do nosso país.
Como grande novidade para este ano lectivo, o Ministério da Educação anunciou o programa “ e - escolinha” para o 1º ciclo. O texto oficial é o seguinte:
“O programa e - escola vai ser alargado aos alunos do 1.º ciclo, com a designação de e -escolinha, permitindo o acesso, já no próximo ano lectivo, a 500 mil computadores portáteis vocacionados para crianças dos 6 aos 11 anos. O Governo assinou um protocolo com a Intel, que, juntamente com a empresa portuguesa JP Sá Couto, assegurará a produção de um portátil de última geração - o Magalhães -, especialmente pensado para crianças, altamente resistente ao choque e à água. Este equipamento será gratuito para os alunos abrangidos pelo 1.º escalão da Acção Social Escolar, terá o custo de 20 euros para os inscritos no escalão B e de 50 euros para as famílias que não beneficiem de qualquer apoio. O nome do computador portátil, agora apresentado, é uma referência ao navegador português Fernão de Magalhães, que realizou a primeira viagem de circum-navegação ao Mundo.”
A medida suscita, como é natural, muitos aplausos mas também duras críticas. Enquanto ressonância do que fomos lendo sobre o assunto, faremos eco de alguns argumentos a favor e de outros tantos contra.
Assim, “ ao facilitar o acesso às tecnologias de informação, o Estado estará a dar o maior contributo para a redução das desigualdades entre portugueses: permitir que os “putos” adquiram um portátil por 50 ou 60 euros (ou sem pagar, no caso de os pais ganharem muito pouco). Se os alunos aprenderem a jogar computador e a conversar no Messenger, isso dar-lhes-á ferramentas cognitivas que não terão tido os seus pais. Ora, o Magalhães é apenas uma ferramenta. Uma boa ferramenta para os miúdos. “
Mais uma opinião: “ faz todo o sentido dar computadores às famílias pois estes contribuem para a educação das novas gerações. As crianças devem obter do Estado uma participação, na forma de um portátil para que desde muito cedo possam tomar contacto com as tecnologias de informação e comunicação.”
Alguém ainda mais optimista escreveu que “ o facto (invejável) de cada aluno e cada professor poder dispor de uma ferramenta de grande versatilidade para o melhoramento da aprendizagem, é um facto relevante Vamos ter escolas melhor equipadas do que em Espanha ou na Bélgica e Holanda, ou Itália e Inglaterra. Teremos pois que apoiar esta medida e exigir mais trabalho aos professores e alunos! “
Muitos mais benefícios, reconhecidos quer pelo comum das pessoas quer pelos responsáveis governamentais, poderiam ser aqui invocados.
No entanto, a chuva de críticas não é menor. O facto de os governantes acreditarem “ que se juntarmos boa tecnologia (concebida nos Estados Unidos, produzida no Extremo Oriente e embalada em Portugal) a maus alunos, más escolas e maus professores vamos obter génios da física e da matemática” foi denunciado no DN de 9 de Agosto.
Não colocando em causa a questão do acesso generalizado aos computadores, uma outra pessoa questiona : “ Mas qual é a realidade do nosso mundo estudantil? A maioria dos alunos do secundário só utiliza os portáteis baratos para plagiarem trabalhos, jogarem e estarem no msn. Quanto a trabalho útil ou estudo, “népia”. De que serve um computador se não se sabe escrever correctamente, não se sabe matemática não se sabe observar, resolver problemas, enfim estudar e aprender a pensar.”
A distribuição massificada de portáteis será solução? “ Os jovens mais carenciados precisam de apoio? Sim. Podem precisar de computadores? Sim. Mas, nem todos precisam que o Estado lhes ofereça computadores. A maior parte, já os tem. E com os recursos que irão ser gastos, não se está a dar a esses alunos mais carenciados o que eles precisam: aulas e bibliotecas de alta qualidade. “
Também encontramos críticas (talvez) menos sérias, ao ponto de se dizer que é mais uma tentativa de comprar as boas vontades das famílias em época de eleições: “provavelmente a ideia central não é fazer algo pelo ensino, mas sim fazer algo pela imagem desgastada do governo. E aí faz todo o sentido dar electrodomésticos (aliás, computadores) às famílias, acompanhados por um slogan qualquer a dizer que são para a educação das gerações. Será que a política gondomareirense e “ loureilista” já chegou às altas esferas do Estado? “
Um jovem cidadão, talvez conhecedor das Novas Oportunidades comentou: “Ainda não se fez um levantamento daquele pessoal que recebeu um portátil para estudar. Sei que houve cursos em que de início estavam 30 pessoas e mal receberam o portátil desapareceram e só duas é que terminaram, ficando o resto com a 4ª classe que já tinham.” Será que foi verdade?
Este “Prós e Contras” não teria fim, como não têm fim as controvérsias da Educação e do Ensino.
A ver vamos…com o Magalhães ( nome do navegador ou do membro governo? ) na Escola, pode ser que, de facto, Portugal avance.
Um dia destes, possivelmente, os seus filhos, os seus netos, os professores falar-lhe-ão no assunto…
 


publicado por tpf às 20:00
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