Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

A inutilidade do sofrimento

 Apesar de muitas pessoas se sentirem prisioneiras das suas rotinas, repetem constantemente os mesmos erros que as fazem sentir-se mal. Veêm as dificuldades como obstáculos impossíveis de ultrapassar, em vez de perceberem as oportunidades fantásticas que nos oferecem. No entanto, é possível quebrar este ciclo vicioso e vivermos de maneira positiva, com realismo e com a certeza que podemos conduzir a nossa própria vida.

Maria Jesús Alava Reyes, com mais de 25 anos de experiência no campo da Psicologia, reúne neste livro reflexões, pautas de comportamento, exercícios de auto-controlo e numerosos testemunhos que nos ajudam a quebrar com o nosso sofrimento inútil e olhar a vida, não como uma tragédia, mas como um presente cheio de oportunidades que devemos aproveitar dia após dia. Prefácio de Catarina Mexia, psicóloga clínica.

http://www.portaldaliteratura.com/livros.php?livro=3712

 

María Jesús Álava Reyes:


“O sofrimento é interior e superá-lo está dentro de cada um de nós”             

Com cerca de 30 anos de experiência no campo da psicologia, María Jesús Álava Reyes esteve em Coimbra a convite do semanário “Campeão das Províncias” e da Rádio Regional do Centro, para uma palestra sobre “A Inutilidade do Sofrimento”, título, aliás, de um dos seus livros mais vendidos e que só em Portugal vai já na 26.ª edição. Aproveitando a sua estadia em Coimbra, associada aos 50.º aniversário da Fundação Bissaya Barreto, “O Despertar” falou com a psicóloga espanhola sobre a sua experiência e sobre a sua convicção de que o sofrimento é, efectivamente, inútil e evitável. É esta entrevista, que aqui transcrevemos.

 

Crê mesmo que o sofrimento é inútil?

 

María Jesús Álava Reye (MJ) – Estou totalmente convencida. Por experiência própria e por todos os anos em que venho praticando psicologia. Há um tipo de sofrimento que é inevitável e que é aquele que se tem quando ocorre uma tragédia de verdade, quando morre um ente querido, quando a morte nos arranca de repente uma pessoa amada, quando há uma catástrofe natural, é inevitável sofrer. Mas este é um sofrimento que deve servir para nos ajudar a ultrapassar a situação. É um sofrimento que indica que somos pessoas sensíveis, e uma vez conscientes desse sofrimento aquilo que devemos fazer é procurar forma e resposta para superar a situação e seguir lutando. O resto dos sofrimentos - sofrer pelo que pensam os outros, se nos querem bem ou mal, porque fizemos alguma coisa errada há não sei quantos anos, porque dentro de cinco meses me vai acontecer alguma coisa que ainda não sei se ocorrerá… -, são sofrimentos inúteis. Calcula-se que cerca de 95 por cento das vezes que sofremos são sofrimentos sem nenhuma justificação. Passamos a vida a sofrer porque nos ensinaram a fazê-lo.

 

Complicamos as coisas simples?

 

MJ – A vida é muito mais fácil do que nós a fazemos. Há pessoas que com o mesmo trabalho, o mesmo chefe, as mesmas circunstâncias, uns se sentem bem e outros se sentem mal. E na família isso também acontece: dois filhos de um mesmo casal, vivendo na mesma casa, com a mesma educação e as mesmas regalias e carinhos, um deles é feliz e o outro é triste, mal humorado e permanentemente cansado. Não é o que nos acontece na vida que nos faz sentir melhor ou pior, mas sim o que cada um de nós pensa. Como contamos a nós mesmos a nossa própria vida depende de como a vivemos. O que acontece é que nunca nos disseram isto e todos pensamos que é uma questão de sorte ou azar. Não é! O sofrimento, tal como a felicidade, é interior e superá-lo está dentro de cada um de nós.

E é fácil convencer as pessoas de que é possível não sofrer?

MJ – A princípio custa. Há sempre uma certa resistência a mudar algo que vimos fazendo desde toda a vida. Quando temos um hábito, e temos que terminá-lo em determinadas circunstâncias, automaticamente sentimo-nos mal. Mas uma vez conseguido demonstrar à pessoa de como se produz o sofrimento, e depois de treiná-la, então é mais fácil convencê-la. Na realidade, todos desejamos deixar de sofrer. O drama é que para aprendê-lo, na maioria das vezes, tem que se ter atingido um sofrimento muito grande. Quando as pessoas procuram um psicólogo é porque têm uma depressão ou crises de ansiedade… o que fazemos é ensinar as pessoas a sair dessas crises e a não voltar a cair nelas. Há muita gente que diz ‘ainda bem que isto me aconteceu porque aprendi a viver’. Ora, porque é que isto não se ensina às crianças nas escolas? E aos adolescentes? Seria tão simples. Nós, psicólogos, trabalhamos constantemente nesta área em empresas, com os empregados e até com os quadros superiores. E basicamente o que lhe ensinamos é isto, apesar de na maioria dos casos as empresas chamarem a isto cursos para controlar o stresse ou a tensão. Mas basicamente é o mesmo. Quando as pessoas percebem o que estamos a fazer, na esmagadora maioria dos casos, as coisas correm muito bem.

 

Mas há excepções…

 

MJ – É verdade que há pessoas que se habituaram a sofrer e a tirar proveito desse sofrimento. São as pessoas que têm os que as rodeiam pendentes delas. É aquela pessoa que diz que está sempre doente e tem toda a família pendente da sua doença. Essas pessoas não querem sair dessa situação porque detêm o protagonismo. Mas mesmo estas, quando as conseguimos convencer de que não podem passar a vida a exigir a atenção permanente dos outros, dão-se conta de que é muito mais simples ser feliz e que, para isso, não necessitam da atenção dos outros. O que necessitam é do seu próprio pensamento.

 

Há, portanto, pacientes seus que vivem felizes?

MJ – Afortunadamente, sim. A grande maioria. Faz este ano 30 anos que trabalho exerço psicologia e se não fosse assim não continuaríamos a ter pacientes nem psicólogos. Não é muito complicado. Uma vez compreendido como funciona a nossa mente e como funcionam as emoções no ser humano, não é assim tão difícil. A mim custou-me muito chegar a esta conclusão. Só após 15 anos de carreira é que me dei conta de que era muito mais simples do que tínhamos aprendido nos livros.

 

Porque é que escolheu a felicidade como campo de trabalho?

 

MJ – Porque me parecia que a grande maioria das pessoas, hoje em dia, não era feliz. Quando terminei o curso de psicologia, comecei a trabalhar numa escola e, então, perguntei a 180 casais se eram felizes. Apenas cinco por cento me disseram que se consideravam realmente felizes.

 

Acredita então que as pessoas sabem o que é a felicidade?

 

MJ – Sabem pelo menos quando se sentem mal. E o que não é a felicidade. Mas em relação ao meu inquérito, chamou-me a atenção que pessoas tão jovens como aqueles pais, muitos deles a trabalharem em áreas de opção, não se sentissem felizes. E a partir daí pensa-se: as circunstâncias eram boas, tinham filhos pequenos, eram casais jovens, trabalhavam no que gostavam, o que é que se passava? E aí descobri que não gostavam deles próprios, não se sentiam bem consigo mesmos. Às vezes, o que temos que ensinar às pessoas é como ser o seu maior amigo. Quando se fala tanto de auto-estima, e se as pessoas têm uma alta ou uma baixa auto-estima, é importante saber que a auto-estima depende de cada um de nós. Em muitos casos, somos treinados para ser o nosso principal inimigo, para estar constantemente a castigar-nos. Isso é uma das maiores barbaridades que podemos cometer.

 

Tem, no entanto, que reconhecer que no mundo actual é difícil não viver em depressão? A depressão é a doença da ‘moda’…

 

MJ – Efectivamente as condições de vida são cada vez piores do que há uns anos, principalmente sob ponto de vista emocional. Em termos de bem estar estamos todos muito melhor. Mas emocionalmente tudo é mais difícil. As pessoas sofrem muita pressão no trabalho, no dia a dia. Por norma despendem várias horas a ir para o trabalho e a regressar a casa, sem tempo para si mesmos e para os filhos. Esse é um dos grandes males da sociedade actual: falta-nos tempo para nós próprios. Tempo que os nossos pais e os nossos avós tinham. Viviam com mais calma e mais tranquilidade, estavam mais envolvidos pela família, existia outro tipo de afectividade e emoção. As pessoas ajudavam-se umas às outras, Hoje em dia todos estamos sozinhos. Se temos um problema temos que resolvê-lo sozinhos. Criámos uma sociedade demasiado dura, demasiado competitiva e demasiado fria e chegámos a um momento em que nos contagiamos. É como se nos injectassem velocidade e só nos damos conta quando, de repente, o nosso organismo nos dá um sinal de que algo não está bem. E nesses momentos pensamos ‘onde eu a correr?’, ‘para quê, se não estava a desfrutar de nada?’. Aí damo-nos conta que temos que mudar e começar a viver a vida de outra maneira e que a podemos viver sentindo-nos bem. Regra geral, vivemos anos tremendos, de muito trabalho e muito sacrifício, sempre à espera que venham dias melhores. E para muita gente esses dias melhores não chegam nunca. O drama é pensar que o dia a dia tem que ser tão complicado, em vez de pensar que temos é que estar bem connosco. E seja em família, seja sozinhos, podemos sempre estar bem connosco.

 

Se é assim tão simples, porque é que isso não acontece?

 

MJ – Porque não conseguimos, muitas vezes, capacitar-nos disso. Se assim fosse, tomaríamos menos medicamentos - a indústria farmacêutica arruinava-se mas acredito que as pessoas não necessitariam de tanto medicamento e não se sentiriam tão doentes. Se formos donos dos nossos pensamentos e da nossa vida, em realidade, somos menos manipuláveis. E é por isso que não desisto de passar esta mensagem, para que todos possam ser felizes e viver sem sofrimento.

Quando escreveu este livro - A Inutilidade do Sofrimento - esperava este sucesso?

MJ – Sempre pensei que sim porque tinha já muitos anos de prática clínica quando o escrevi e sempre com um êxito enorme, assim como com os cursos que damos nas empresas. Mas não acredito que o livro tivesse tido tanto êxito se não fossem os meios de comunicação. Em Espanha teve uma divulgação enorme, quer em jornais, quer na rádio e televisão, e isso fez com que se conhecesse o livro. O que normalmente acontece com obras deste tipo, é que uma pessoa lê e depois compra para oferecer a alguém e por aí fora. Em Espanha, “A Inutilidade do Sofrimento” já tem mais de 60 edições e mais de 100 mil exemplares vendidos, em cinco anos. Mas isso é normal porque é um livro útil.

O que é que diz às pessoas para que interiorizem essa ideia de felicidade?

MJ – Basicamente que não se enganem, que a sua vida lhes pertence, eles são os donos da sua vida, que deles depende que se sintam bem ou mal e que as circunstâncias podem ser as mais difíceis mas isso não significa que tenham que ser desgraçados.

 

Escrito por Paula Alexandra Almeida,

In http://www.campeaoprovincias.com/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=3573&Itemid=73        

28-Mai-2008

 


publicado por tpf às 18:34
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