Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Imagens do fim de um mundo

Encontra-se patente ao público, no edifício da antiga Cadeia da Relação do Porto, uma curiosa exposição sobre o Portugal dos últimos vinte e cinco anos, com especial destaque para o mundo rural de Trás-os-Montes.
 
Georges Dussaud é o autor da mesma,  intitulada Crónicas Portuguesas. Conforme se escreve no folheto de divulgação,   esta mostra   “ apresenta uma selecção de imagens a preto e branco com aspectos de paisagens e costumes captados pela objectiva deste prestigiado fotógrafo francês, de estilo humanista” . Registo dum Portugal de contrastes, imagens duma realidade social que pouco a pouco vai desaparecendo, com aquilo que tinha de positivo, mas também de negativo. Falando para a televisão, o Padre Fontes, de Vilar de Perdizes, estudioso e divulgador da cultura tradicional e do comunitarismo das terras do Barroso, dizia, a propósito deste evento,que estávamos perante imagens do fim do mundo, imagens dum tempo que passou: usos, costumes, tradições que desapareceram  ou se encontram  em vias de extinção.
Imagens, representações, do  mundo rural: umas, captadas pela máquina fotográfica, outras,  pelo olhar de uma geração que registou no coração e gravou na memória vivências felizes e traumatismos de vida, num misto de  nostalgia e também de libertação.
Imagens, concepções,  que se reflectem também nos estudos académicos, nas medidas de política social e económica e na sinceridade ( e, por vezes, demagogia) dos discursos políticos.
Fruto da integração europeia, influência do fenómeno da globalização, a realidade a que chamamos “mundo rural” tem vindo a sofrer nos últimos anos profundas transformações. Campo de muitas batalhas, o mundo rural é, de facto, tema  presente nos debates dos nossos dias. Recordem-se as vozes em sua defesa a propósito da Lei das Finanças Locais, em que se viveu  um certo clima de guerra aberta ao mundo rural; lembremos os debates sobre a desertificação e as ambiguidades das medidas governamentais que penalizam muitas vezes as populações mais periféricas , parecendo, por vezes, traduzir  indiferença e até desprezo , ao mesmo tempo que publicam grandiosos documentos,(  cuja validade não questionamos)  como por exemplo o Programa de Desenvolvimento Rural para o Continente ( 2007- 2013) um programa de 327 páginas.
 
Sobre este clima de conflitualidade no mundo rural, vem a propósito referir um estudo sociológico de Pedro Hespanha e Jorge Caleiras, intitulado Mal-estar, conflitualidade e violência no mundo rural português. A crise dos anos 90. O artigo “ analisa as reacções de diferentes grupos de agricultores e da população rural às mudanças ocorridas entre 1986 e 1996 e relacionadas tanto com o processo de integração de Portugal na Comunidade Europeia como com os impactos da globalização económica. A debilidade e a impreparação das estruturas públicas e privadas no campo português constituiram um travão aos ajustamentos requeridos pelo novo quadro económico e institucional e ao forte impulso para a modernização que se fez sentir. Aparecem então novas vulnerabilidades e dependências, associadas ao abandono da agricultura, ao declínio da pequena produção tradicional, ao colapso de projectos de modernização e à descrença nas propostas do Estado e generaliza-se um estado de espírito pessimista, de descontentamento e de revolta.”
Mundo Rural: imaginário, nostalgia para uns, espaço de revolta para outros. Imagens, representações, desafios, utopias…vivências e teorias…imagens de um mundo em permanente mudança.

 

( publicado também no Jornal NE )


publicado por tpf às 14:43
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